Apontamentos sobre Knut Hamsun


Depois de ter lido elogios um pouco por todo o lado, a expectativa para ler Hamsun era elevada. Talvez por isso, também, a desilusão foi maior. Fome, que comprei finalmente este ano na Feira do Livro, quando era livro do dia, desiludiu-me em toda a linha. Não há absolutamente nada que considere memorável neste livro. Nem a história (ou a ausência dela), nem o ambiente retratado, nem a personagem (porque só há uma, tudo o resto são figurantes), nem a escrita. Acredito que na época em que foi publicado originalmente (1890) possa ter sido marcante e inovador e que o seu valor advenha daí. Contudo, parece-me um livro que sobreviveu muito mal à passagem do tempo. As deambulações de um pobre jornalista miserável, que passa fome e vive na rua ou onde consegue, não me cativaram, sobretudo porque a narrativa é circular e infrutífera: tem muita fome, não consegue escrever, não tem onde cair morto; lá consegue vender um artigo a um jornal, consegue pagar alguma comida, um tecto sob o qual dormir e rapidamente fica sem nada de novo; ou então vê-se com dinheiro e desbarata-o de formas imbecis. A fé e uma inabalável vontade de ser moralmente correcto são características muito mal exploradas e que soam risíveis ao leitor de hoje. Pelo menos ao leitor de hoje que sou eu. Portanto, não sei se Hamsun terá outra oportunidade, porque este Fome foi uma péssima porta de entrada para a obra do Nobel norueguês.

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