O factor decisivo para ganhar o Nobel da Literatura

Ontem, como faço desde há uns anos, assisti em directo ao anúncio do Prémio Nobel da Literatura, que foi atribuído à bielorussa Svetlana Aleksievitch, que já tinha um livro publicado em Portugal: O Fim do Homem Soviético, na Porto Editora. Mais se seguirão, certamente.

Fiquei profundamente desiludido. Não pela vencedora, de que nunca li nada, mas pelo anúncio. Quando a porta se abriu e saiu uma senhora, apeteceu-me pedir o meu dinheiro de volta. Desde que vejo os anúncios do Nobel que o prémio é anunciado por Peter Englund, que era o secretário permanente da Academia Sueca. Parece que este ano, em Maio, foi sucedido no cargo por Sara Danius, a tal senhora que anunciou o nome de Svetlana Aleksievitch.




Englund tinha aquele ar simpático de quem é boa companhia para beber umas cervejas. Acontece o mesmo com Gianni Infantino, secretário geral da UEFA, que preside aos sorteios da Liga dos Campeões, que também gosto de acompanhar em directo. Não sei se é por serem ambos carecas, por falarem muitas línguas, por anunciarem coisas, a verdade é que gosto deles, pronto. Agora que perdi o Englund, espero não perder o Infantino nos próximos anos. Por enquanto, tem escapado às suspensões que assolam os organismos maiores do futebol mundial.

A propósito do anúncio do Nobel, lembrei-me de uma coisa que fiz há uns anos. Foi em 2008, quando anunciaram o Nobel da Literatura para o francês J. M. G. Le Clézio. Quando pesquisei sobre o autor, de quem nunca tinha lido nada (entretanto já li e gostei bastante), reparei que tinha nascido a 13 de Abril. Como eu. Como Samuel Beckett, outro Nobel. E pensei para comigo: querem ver?

Sim, fui ver a data de nascimento de todos os laureados. Com isso, descobri que havia mais um Nobel nascido a 13 de Abril: Seamus Heaney. Depois de feita toda uma tabela, a conclusão a que cheguei foi que há onze dias em que nasceram dois Nobel da Literatura, mas apenas um dia em que nasceram três: o dia 13 de Abril. Confirmei agora, com os vencedores posteriores a Le Clézio, que não há ainda mais nenhuma data que tenha mais do que dois vencedores.

Beckett recebeu o Nobel em 1969, Heaney em 1995 e Le Clézio em 2008. Do primeiro para o segundo, passaram 26 anos. Do segundo para o terceiro, 13 anos. Metade dos anos, portanto. Como metade novamente seria seis e meio, quer-me parecer que a lógica da coisa vai ser outra. Não sei ainda qual, nem vou entrar em especulações, mas durmo mais descansado por saber que tenho o factor decisivo para ganhar o Nobel: nascer a 13 de Abril. Só falta a obra.

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