Contistas portugueses

Foram conhecidos recentemente os finalistas do Prémio Portugal Telecom de Literatura. Além da supremacia clara dos autores brasileiros sobre os portugueses, o que não me espanta no romance e talvez espantasse na poesia se conhecesse poesia brasileira contemporânea, há outro dado curioso. Este ano, pela primeira vez, há finalistas por categorias: poesia, romance e conto / crónica. O dado curioso, mas perfeitamente expectável, é que há um português na categoria de poesia e um português na categoria de romance, mas nenhum na categoria de conto. Todos os quatro seleccionados são brasileiros. E são-no porque em Portugal os escritores não escrevem livros de contos. É o verdadeiro género menor. Muito menor que a poesia, menor que subcorrentes como o policial. Depois, é o que se vê: qualquer jovem autor já acha que sabe escrever romances e saem para as livrarias coisas como Sandokan & Bakunine, de Bruno Margo, que podia ter feito um bom livro de contos e fez um romance ridículo. E a crítica portuguesa enaltece estas coisas, que é originalíssimo e experimental e imaginativo. Do primeiro adjectivo, duvido. Com os outros dois tendo a concordar. Infelizmente, todos se esqueceram que isso não chega. E esses prós, se é que são prós, não ofuscam os muitos contras.

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