Do amor sem corpo

O Dr. K. desenvolve uma teoria fragmentária do amor sem corpo em que não há qualquer diferença entre proximidade e ausência. Se abríssemos os olhos, saberíamos que a nossa felicidade está na natureza, e não no nosso corpo que há muito deixou de lhe pertencer. Por isso os falsos apaixonados, e quase só há desses, fecham os olhos no amor, ou então, o que é quase a mesma coisa, mantêm-nos esbugalhados de avidez. E nunca uma pessoa se encontra mais desamparada e mais alienada do que nessa situação.

Vertigens. Impressões, W. G. Sebald

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