Voltar a Bolaño

Terão já reparado que estou a ler Estrella Distante de Roberto Bolaño — sim, porque eu (ainda) não abro livros ao acaso para colocar aqui excertos. No entanto, não o comecei agora. Quem tiver acompanhado um outro blogue que tive recentemente, sabe que já o comecei há imenso tempo. O que aconteceu foi terem-se metido outras leituras pelo meio, entre elas a de um senhor chamado Salinger, de quem acho que já falei neste blogue.

Sim, o Salinger está lido. Os quatro livros editados: The Catcher in the Rye, Nine Stories, Franny and Zooey e Raise High the Roof Beam, Carpenters and Seymour, an Introduction. A minha opinião mantém-se. J. D. Salinger é o escritor que mais me marcou até hoje e é, para mim, o melhor que já li. Dos quatro livros, Franny and Zooey é o meu preferido e o que “bateu” com mais força. Mas todos eles são geniais, mesmo o mais fraco, que é o texto “Seymour — an Introduction”. Chamo-lhe texto porque não é um conto, ou uma novela, como os restantes. É um texto do autor ficcional Buddy Glass, sobre o seu irmão Seymour. Um texto que tenta apresentá-lo e depois tenta descrevê-lo e falha nas duas tarefas. Claro que a falha é assumida pelo autor e terá o seu quê de encenação, o que lhe confere um interesse inegável. Porém, enquanto experiência de leitura, a minha opinião é de que é o texto mais fraco.

Tendo estes quatro livros lidos, falta-me ler os restantes contos de Salinger, publicados em revistas e nunca editados em livro (circulam pela internet mais ou menos ilegalmente). Depois disso, é esperar que algum herdeiro do escritor decida publicar inéditos, que parece que é coisa que não falta lá por casa.

Posto isto, voltei ao Bolaño. Não queria deixar mais um livro inacabado (cada vez são mais) e o Bolaño é outro senhor muito da minha estima. Só tinha lido ainda o 2666, que chegou e sobrou para me tornar devoto, e queria ler mais. Foi o que me levou a começar este Estrella Distante. Agora é levá-lo até ao fim.

Está longe de possuir a genialidade monstruosa de 2666 (o que é impossível nas cerca de 150 páginas que este livro tem, porque grande parte do impacto de 2666 vem mesmo das suas mais de mil páginas), mas reconhecem-se aqui a escrita e os temas de Bolaño. E a escrita de Bolaño, mesmo que os temas desagradem a alguns leitores, é motivo mais do que suficiente para ler um livro.

Roberto Bolaño é um daqueles escritores, como Carver ou Hemingway, cuja leitura funciona também como aula de escrita. E a propósito disto, deixo aqui um link para os Consejos sobre el arte de escribir cuentos, do próprio Bolaño. Não tem dicas de escrita propriamente dita, mas tem conselhos com piada e a ter em conta.

E já que se fala em contos, tenho a confessar-vos (aos teimosos que chegarem a este último parágrafo do post) que o tal conto que escrevi recentemente será, muito provavelmente, alvo de uma reformulação relativamente importante. Depois disso, será partir para outro — assim o tempo (não a meteorologia) mo permita — ou para outros nove ou quinze.

2 comentários

  1. leste os salinger no original ou nas edições portuguesas?

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  2. Olá Bruce,
    Li-os todos em inglês. Tentei ler, há já bastante tempo, o Catcher In The Rye traduzido, mas soou-me tão mal que desisti. Peguei-lhe muito tempo depois, em inglês, e fez-se luz. Mas só depois do Franny and Zooey é que o Salinger me conquistou irreversivelmente.

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