Sujeito-predicado-complemento

Os historiadores hão-de investigar porque é que a polifonia chegou tão tarde e atamancada ao romance português, e por que motivo pegou de estaca. Na última década e meia, quase todos os romancistas com pretensões sofisticadas usam estribilhos, repetições, vozes cruzadas, diálogos às cavalitas, ambiguidades narrativas. O que é tanto mais curioso quanto quase não temos romances decentes em estilo sujeito-predicado-complemento. Saltámos do Eurico, o Presbítero para o Ulisses, e isso não dá saúde.

Pedro Mexia, Ler n.º 92

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