O caderno perfeito

Creio não incorrer em grande falha se disser que toda a gente que gosta de escrever, ou que tem na escrita o seu ofício, gosta de cadernos. Eu não sou excepção. Não se trata apenas de gostar de cadernos indiscriminadamente, embora a ideia de caderno, por si, possa ser apelativa. Mas há, claro, cadernos maus, cadernos feios, cadernos de que não se gosta. Neste campo, como em todos, há gostos para tudo.

Há os fetichistas que usam sempre o mesmo modelo, como aqueles cadernos de argolas brancas e capa azul, ou os cadernos diários da primária, de capa amarela, ou aqueles de capa preta e lombada agrafada; isto para dar só exemplos de cadernos que acho particularmente feios. Também há gente, e não pouca, que brada o seu amor pelas esferográficas bic como o instrumento divino da escrita; para dar mais um exemplo de algo que odeio.