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O tédio da fuga

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Mais do que um filme entediante, Profissão: Repórter (1975), de Michelangelo Antonioni, é um filme sobre o tédio. Num primeiro momento, há o cansaço, que conduz à acção que desencadeia o enredo, mas rapidamente a personagem de Jack Nicholson regressa ao cansaço, ao tédio letárgico capaz apenas de um movimento: fugir.

Nicholson começa por ser David Locke, um repórter britânico em África que tenta em vão encontrar um grupo de rebeldes armados. Quando descobre o inglês, que conhecera na viagem, morto no quarto de hotel, David Locke decide trocar de identidade com este, e assim passa a ser Robertson. O que Locke não sabe nesse momento, mas virá a descobrir depois, é que Robertson era um traficante de armas, fornecedor dos tais rebeldes.

David Simon: um dos maiores escritores do século XXI

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Quando pensamos em grandes escritores, o conceito parece indissociável de um outro, o de livro, porque é nos livros que temos contacto directo com a escrita. Desde que surgiu o cinema, há pouco mais de um século, e depois a televisão, vimo-nos confrontados com uma outra realidade, de homens e mulheres cuja escrita nos chega em forma de imagens.

No teatro o choque nunca foi tão marcante porque a maioria das peças encenadas existiam em formato texto, podiam ser lidas prévia ou posteriormente. Embora também já haja edições de guiões de cinema, ainda que muito residuais, a verdade é que a escrita para cinema e televisão é uma escrita sem leitores: estes são substituídos pelos espectadores.

O factor decisivo para ganhar o Nobel da Literatura

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Ontem, como faço desde há uns anos, assisti em directo ao anúncio do Prémio Nobel da Literatura, que foi atribuído à bielorussa Svetlana Aleksievitch, que já tinha um livro publicado em Portugal: O Fim do Homem Soviético, na Porto Editora. Mais se seguirão, certamente.

Fiquei profundamente desiludido. Não pela vencedora, de que nunca li nada, mas pelo anúncio. Quando a porta se abriu e saiu uma senhora, apeteceu-me pedir o meu dinheiro de volta. Desde que vejo os anúncios do Nobel que o prémio é anunciado por Peter Englund, que era o secretário permanente da Academia Sueca. Parece que este ano, em Maio, foi sucedido no cargo por Sara Danius, a tal senhora que anunciou o nome de Svetlana Aleksievitch.

Como segurar numa caneta

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Recentemente, descobri que uma boa forma de terapia é escrever à mão. Descobri-o a escrever uma carta e confirmei-o a escrever num caderno, para mim, sem qualquer intuito de mostrar aquilo a alguém. Talvez seja a junção de uma actividade intelectual com uma física, porque escrever à mão tem um lado físico que não é tão marcado quando escrevemos num computador.

Sim, num computador as mãos também se mexem (até se mexem as duas, ao contrário do que acontece na escrita manual), mas o movimento é mais desligado. Nós carregamos em botões que fazem aparecer caracteres, que se transformam em palavras. Cada bater de tecla dá um carácter. Enquanto na escrita manual, cada letra e cada símbolo exige um desenho, um percurso da caneta pelo papel.

Não guardar

Tive o Word aberto todo o dia. Escrevi dois parágrafos. Há pouco carreguei na cruz para fechar e fiquei durante vários segundos com o ponteiro do rato em cima da opção Não Guardar, hesitando. Acabei por carregar. Eram só dois parágrafos, medíocres. Era o início da reescrita das trinta e três mil palavras da primeira parte do meu romance. Ainda não é desta que arranca.

Comecei a escrever um post aqui, depois de fechar o Word. Escrevi três parágrafos. Saí sem guardar, irritado comigo por me auto-censurar certas merdas por causa disto ou daquilo. No fim, isto resume bem o que está a ser a minha vida, uma série de falsas partidas. Quantas hipóteses tenho antes de ser definitivamente desqualificado?

Do sublime

Because sometimes the experience itself is a poem, and the fact that experiences elapse then elude us, slide into memory, is part of what makes them poetic. If that sounds overly romantic then consider whether trying to recapture a lived experience might actually amount to a kind of writerly arrogance. The weather, the bird, the house, the whole complex and wonderful collaboration of elements, can only be mocked up using ‘terminology’, can only be condescended to, described. Letting an experience be bigger than your ability to comprehend it is part of recognizing what the sublime is.
Jack Underwood, “I guess you had to be there” na Five Dials #37